sexta-feira, 8 de julho de 2011

Os Cinco Treinamentos de Plena Atenção - Segundo Treinamento – Verdadeira Felicidade

Os Cinco Treinamentos de Plena Atenção - Segundo Treinamento – Verdadeira Felicidade

Consciente do sofrimento causado pela exploração, injustiça social, roubo e opressão, eu me comprometo a praticar a generosidade no meu modo de pensar, de falar e de agir. Estou determinado a não roubar e a não possuir nada que porventura pertença a outros, e a compartilhar meu tempo, energia e recursos materiais com aqueles que precisam. Praticarei a observação profunda para ver que a felicidade e o sofrimento dos outros não estão separados da minha própria felicidade e sofrimento. Praticarei para ver que a verdadeira felicidade não é possível sem compreensão e compaixão – e que buscar riqueza, fama, poder e prazeres sensoriais podem gerar muito sofrimento e desespero. Estou consciente de que a felicidade depende da minha mente e não de condições externas, e que posso ser feliz no momento presente, bastando me lembrar de que já possuo todas as condições para isso. Eu me comprometo a praticar o Meio de Vida Correto de forma a reduzir o sofrimento dos seres vivos na Terra e, especialmente, reverter o processo de aquecimento global.(*)

A exploração, a injustiça social e o roubo existem sob muitas formas. A opressão é uma forma de roubo que causa muito sofrimento tanto no Primeiro quanto no Terceiro Mundos. A partir do momento em que fizermos o voto de cultivar a brandura, nascerá dentro de nós a gentileza amorosa e faremos todo esforço para acabar com a exploração, a injustiça social, o roubo e a opressão.

No primeiro treinamento para a mente alerta encontramos a palavra "compaixão". Aqui encontramos as palavras "gentileza amorosa". A compaixão e a gentileza amorosa são dois aspectos do amor pregado pelo Buda. Compaixão, karuna em sânscrito e páli, é a intenção e capacidade de aliviar o sofrimento de outra pessoa ou ser vivo. A gentileza amorosa, maitri em sânscrito, metta em páli, é a intenção e a capacidade de trazer alegria e felicidade a outra pessoa ou ser vivo. Foi predito pelo Buda Shakyamuni que o próximo Buda teria o nome Maitreya, o Buda do amor.

Consciente do sofrimento causado pela exploração, injustiça social, roubo e opressão, eu me comprometo a praticar a generosidade no meu modo de pensar, de falar e de agir. Ainda que tenhamos a maitri como fonte de energia dentro de nós, precisamos aprender a olhar mais profundamente para encontrar formas de expressá-la. Fazemos isto enquanto indivíduos e aprendemos as formas de fazê-lo enquanto nação. Para promover o bem-estar das pessoas, animais, plantas e minerais, temos de nos unir em comunidade e examinar nossa situação, exercitando nossa inteligência e nossa capacidade de olhar profundamente, para poder descobrir for-mas apropriadas de expressar nossa maitri em meio a problemas reais.

Suponhamos que nós queiramos ajudar aqueles que estão sofrendo sob uma ditadura. No passado talvez tenhamos tentado enviar tropas para derrubar o governo ditatorial, mas aprendemos que, fazendo isto, causamos a morte de muitas pessoas inocentes e, mesmo assim, talvez não tenhamos conseguido derrubar o ditador. Se praticarmos o olhar em profundidade, com gentileza amorosa, para encontrar uma forma melhor de ajudar estas pessoas sem causar sofrimento, podemos chegar à conclusão de que a melhor hora de ajudar é antes de o país cair nas mãos de um ditador. Se oferecermos aos jovens desse país a oportunidade de aprender a nossa forma democrática de governo, dando a eles bolsas de estudo para virem ao nosso país, este seria um bom investimento para a paz no futuro. Se tivéssemos feito isto há trinta anos, o outro país poderia ser democrático agora, e não teríamos de bombardeá-lo ou enviar tropas para "libertá-lo".

Este é apenas um exemplo de como o olhar em profundidade e o aprender podem ajudar-nos a encontrar formas de agir mais de acordo com a gentileza amorosa. Se esperarmos até a situação ficar ruim pode ser tarde demais. Se praticarmos os treinamentos para a mente alerta junto com políticos, militares, empresários, advogados, legisladores, artistas, escritores e professores, podemos encontrar as melhores formas de praticar a compaixão, a gentileza amorosa e a compreensão.

Requer tempo praticar a generosidade. Talvez queiramos ajudar aqueles que estão com fome, mas ficamos presos aos problemas do nosso próprio viver cotidiano. Às vezes, uma pílula ou um pouco de arroz poderiam salvar a vida de uma criança, mas não tomamos o tempo para ajudar, pois pensamos que não temos tempo. Na cidade de Ho Chi Minh, por exemplo, existem crianças de rua que chamam a si mesmas de "poeira da vida". Não têm onde morar, vagam pelas ruas durante o dia e dormem sob árvores à noite. Vasculham o lixo em busca de coisas como sacos plásticos que vendem por alguns centavos o quilo. As monjas e monges na cidade de Ho Chi Minh abriram seus templos para estas crianças, e se as crianças concordam em ficar lá por quatro horas no período da manhã - aprendendo a ler e escrever e brincando com as monjas e os monges - recebem um almoço vegetariano. Depois podem ir à sala do Buda para um cochilo. (...)

Às duas há mais ensinamento e brincadeira para as crianças, e as crianças que ficam durante a tarde recebem jantar. O templo não dispõe de espaço para elas dormirem à noite. Nossa comunidade na França vem financiando em parte a atividade dessas monjas e monges. O custo é de apenas vinte centavos para uma criança ter almoço e jantar, e vai evitar que ela fique nas ruas, onde poderia roubar cigarros, fumar, usar um linguajar de delinqüente e aprender o pior dos comportamentos. Encorajando as crianças a irem para o templo, ajudamos a evitar que elas se tornem delinqüentes e caiam na prisão mais tarde. Leva tempo para ajudar essas crianças, mas não muito dinheiro. Há muitas coisas simples como esta que podemos fazer para ajudar as pessoas, mas porque não nos livramos da nossa situação e do nosso estilo de vida não fazemos absolutamente nada. Precisamos unir-nos em comunidade e, olhando em profundidade, encontrar formas de nos libertar, para poder praticar o segundo treinamento para a mente alerta.

Estou determinado (...) a compartilhar meu tempo, energia e recursos materiais com aqueles que precisam. Esta frase é clara: o sentimento de generosidade e a capacidade de sermos generosos não bastam. Precisamos também expressar nossa generosidade. Podemos achar 'que não dispomos de tempo para fazer as pessoas felizes - dizemos: "tempo é dinheiro", mas tempo é mais do que dinheiro. A vida é bem mais do que usar o tempo para ganhar dinheiro. O tempo é para se viver, para compartilhar a alegria e a felicidade com os outros. Os ricos são normalmente os menos capazes de fazer os outros felizes. Apenas os que têm tempo podem fazê-lo.

Conheço um homem chamado Bac Siêu na província de Thua Thiên no Vietnã que pratica a generosidade há cinqüenta anos; ele é um bodhisattva vivo. Com apenas uma bicicleta ele visita aldeias de treze províncias, levando alguma coisa para esta família e outra coisa para aquela. Quando o conheci em 1965, eu estava um pouco orgulhoso demais da nossa Escola de Jovens para o Serviço Social. Tínhamos começado a treinar trezentos assistentes, incluindo monjas e monges, para ir às aldeias rurais e ajudar as pessoas a reconstruir suas casas e modernizar as economias locais, os sistemas de saúde e a educação. Chegamos a ter dez mil assistentes espalhados pelo país.

Enquanto eu falava a Bac Siêu sobre nossos projetos, eu olhava sua bicicleta e pensava que com uma bicicleta ele poderia ajudar apenas algumas poucas pessoas. Mas quando os comunistas tomaram o poder e fecharam nossa escola, Bac Siêu continuou, porque seu modo de trabalhar era informal. Nossos orfanatos, dispensários, escolas e centros de reassentamento foram todos fechados ou tomados pelo governo. Milhares de nossos assistentes tiveram de parar seu trabalho e se esconder. Mas Bac Siêu não tinha nada que lhe pudessem tirar. Ele era verdadeiramente um bodhisattva, trabalhando para o bem-estar dos outros. Sinto-me mais humilde agora em relação às formas de se praticar a generosidade.

A guerra criou muitos milhares de órfãos. Em vez de levantar dinheiro para construir orfanatos, procuramos pessoas no Ocidente para sustentar uma criança. Procuramos famílias nas aldeias para cuidar cada uma de um órfão, e então enviávamos seis dólares todo mês para a família alimentar a criança e mandá-la para a escola. Quando possível, tentávamos colocar a criança na família de uma tia, de um tio ou de um avô ou avó. Com apenas seis dólares a criança era alimentada e mandada para a escola, e ajudava-se também o restante das crianças da família. As crianças se beneficiam do crescimento no seio de uma família. Estar num orfanato pode ser como estar no exército - as crianças não se desenvolvem naturalmente. Se procurarmos e aprendermos formas de praticar a generosidade, vamos melhorar sempre.

Estou determinado a não roubar e não me apossar de nada que porventura pertença a outros. (...) Praticarei a observação profunda para ver que a felicidade e o sofrimento dos outros não estão separados da minha própria felicidade e sofrimento. Praticarei para ver que a verdadeira felicidade não é possível sem compreensão e compaixão – e que buscar riqueza, fama, poder e prazeres sensoriais podem gerar muito sofrimento e desespero. Quando você pratica profundamente um dos treinamentos para a mente alerta, você descobre que está praticando todos os cinco. O primeiro treinamento para a mente alerta é sobre tirar a vida, que é uma forma de roubo - roubar o que de mais precioso uma pessoa tem, sua vida. Quando meditamos sobre o segundo treinamento para a mente alerta, vemos que roubar, nas formas de exploração, injustiça social e opressão, é um ato de matança - matança lenta através da exploração, mantendo a injustiça social e pela opressão política e econômica.

Portanto, o segundo treinamento para a mente alerta tem muito a ver com o treinamento para a mente alerta de não matar. Vemos o "interser" natural dos dois primeiros treinamentos para a mente alerta. Isto se aplica a todos os cinco treinamentos para a mente alerta. Algumas pessoas recebem formalmente apenas um ou dois treinamentos para a mente alerta. Eu não me importo, pois se você praticar profundamente um ou dois desses treinamentos, estará observando todos os cinco treinamentos para a mente alerta.

O segundo treinamento para a mente alerta é não roubar. Ao invés de roubar, explorar ou oprimir, praticamos a generosidade. No budismo, dizemos que existem três tipos de dádivas. A primeira é a dádiva dos recursos materiais. A segunda é ajudar as pessoas a confiarem em si próprias, oferecer a elas tecnologia e know-how para que andem com as próprias pernas. Ajudar as pessoas com o Dharma, para que possam transformar seu medo, sua raiva e sua depressão, faz parte do segundo tipo de dádiva. A terceira é a dádiva do não-medo. Temos medo de muitas coisas. Sentimo-nos inseguros, com medo de ficar sozinhos, com medo de adoecer e morrer. Para ajudar as pessoas a não serem destruídas por seus medos, praticamos o terceiro tipo de oferecimento de dádiva.

O bodhisattva Avalokitesvara é alguém que pratica isto extremamente bem. No Sutra do Coração ele nos ensina o modo de transformar e transcender o medo e navegar sorrindo sobre as ondas do nascimento e da morte. Ele diz que não existe produção, destruição, ser, não-ser, aumento e diminuição. Escutar isto nos ajuda a olhar profundamente a natureza da realidade para ver que nascimento e morte, ser e não-ser, vir e partir, aumento e diminuição são apenas idéias que atribuímos à realidade, ao passo que a realidade mesma transcende todos os conceitos. Quando nos damos conta do interser natural de todas as coisas - de que mesmo o nascimento e a morte são meros conceitos - transcendemos o medo. (...)

Durante minha meditação, tive uma visão maravilhosa - a forma de uma onda, seu início e seu fim. Quando as condições são apropriadas, percebemos a onda, e quando as condições já não são apropriadas, não percebemos a onda. Ondas são feitas apenas de água. Não podemos rotular a onda como existente ou não-existente. Depois da assim chamada morte da onda, nada se foi, nada se perdeu. A onda foi absorvida por outras ondas e, de alguma forma, o tempo vai trazer a onda de volta novamente. Não há aumento, diminuição, nascimento ou morte. Quando estivermos morrendo e acharmos que todos os outros estão vivos, que somos a única pessoa que está morrendo, nosso sentimento de solidão pode ser insuportável.

Mas se formos capazes de visualizar centenas de milhares de pessoas morrendo conosco, nossa morte pode se tornar serena e até mesmo alegre. "Estou morrendo em comunidade. Milhões de seres vivos também estão morrendo neste exato momento. Eu me vejo junto com milhões de outros seres vivos; morremos na Sangha. Ao mesmo tempo, milhões de seres estão nascendo. Todos estamos fazendo isso juntos. Eu nasci, eu estou morrendo. Nós participamos do acontecimento inteiro como uma Sangha." Foi isto que eu vi na minha meditação. No Sutra do Coração, Avalokitesvara compartilha este tipo de visão e nos ajuda a transcender o medo, a tristeza e a dor. A dádiva do não-medo produz uma transformação em nós.

O segundo treinamento para a mente alerta é uma prática profunda. Falamos de tempo, de energia e de recursos materiais, mas o tempo não existe apenas para energia e recursos materiais. O tempo existe para estarmos com os outros - estarmos com uma pessoa morrendo ou com alguém que está sofrendo. Estar realmente presente, mesmo que por cinco minutos, pode ser uma dádiva importante. O tempo não existe apenas para ganhar dinheiro. Existe para produzir a dádiva do Dharma e a dádiva do não-medo.

(Do livro “Os cinco treinamentos para a mente alerta” – Thich Nhat Hanh)

Os Cinco Treinamentos de Plena Atenção – Primeiro Treinamento – Reverência a Vida

Os Cinco Treinamentos de Plena Atenção – Primeiro Treinamento – Reverência a Vida

Consciente do sofrimento causado pela destruição da vida, eu me comprometo a cultivar o insight do Interser e da compaixão, e a aprender maneiras de proteger a vida das pessoas, animais, plantas e minerais. Estou determinado a não matar, a não deixar que outros matem e a não apoiar nenhum ato de matança no mundo, seja na minha maneira de pensar ou no meu modo de vida. Ao ver que as ações que causam sofrimento surgem a partir da raiva, do medo, da avidez e da intolerância – que, por sua vez, baseiam-se no pensamento dualista e discriminativo - cultivarei a abertura, a não discriminação e o não apego a pontos de vista para transformar a violência, o fanatismo e o dogmatismo em mim mesmo e no mundo. (*)

A vida é preciosa. Ela está em toda parte, dentro de nós e em volta de nós; ela tem muitas formas. O primeiro treinamento para a mente alerta nasceu da constatação de que a vida está sendo destruída em toda parte. Vemos o sofrimento causado pela destruição da vida e nos comprometemos a cultivar a compaixão e a usá-la como fonte de energia para a proteção das pessoas, animais, plantas e minerais. O primeiro treinamento para a mente alerta é um treinamento de compaixão, karuna a habilidade de remover o sofrimento e transformá-lo. Quando vemos o sofrimento, nasce em nós a compaixão.

É importante que estejamos em contato com o sofrimento do mundo. Precisamos nutrir esta consciência através de vários meios sons, imagens, contato direto, visitas e assim por diante para manter a compaixão viva dentro de nós. Mas devemos ser cuidadosos para não absorver demais. Qualquer remédio deve ser administrado na dosagem certa. Precisamos estar em contato com o sofrimento apenas o suficiente para não esquecê-lo, para que a compaixão flua dentro de nós e seja uma fonte de energia para nossas ações. Se usarmos a raiva contra a injustiça como fonte de nossa energia, podemos fazer algo prejudicial, algo de que nos arrependeremos mais tarde. De acordo com o budismo, a compaixão é a única fonte de energia que é útil e segura. Com a compaixão, a sua energia nasce do discernimento; não é uma energia cega.

Nós, humanos, somos feitos inteiramente de elementos não humanos como plantas, minerais, terra, nuvens e luz do sol. Para que a nossa prática seja profunda e verdadeira devemos incluir o ecossistema. Se o ambiente é destruído, os humanos serão destruídos também. Não é possível proteger a vida humana sem proteger a vida dos animais, plantas e minerais. O ‘Sutra do Diamante' nos ensina que é impossível distinguir os seres sensíveis dos não sensíveis. Este é um dos muitos textos budistas antigos que nos ensinam ecologia profunda. Cada praticante budista deveria ser um protetor do meio ambiente. Também os minerais têm vida própria. Nos mosteiros budistas cantamos: "Tanto os seres sensíveis quanto e os não sensíveis vão atingir a iluminação plena". O primeiro treinamento para a mente alerta é a prática da proteção de todas as formas de vida, incluindo a dos minerais.

Estou determinado a não matar, a não deixar que outros matem e a não tolerar qualquer ato de matança no mundo, no meu pensamento e no meu modo de viver. Não podemos apoiar nenhum ato de matança; nenhuma matança pode ser justificada. Mas não matar não é o bastante. Devemos também aprender meios de impedir que outros matem. Não podemos dizer: "Eu não sou responsável. Foram eles que o fizeram. Minhas mãos estão limpas". Se você tivesse vivido na Alemanha durante a época do nazismo, não poderia dizer: "Foram eles que o fizeram. Não fui eu". Se, durante a guerra do Golfo, você não disse ou não fez nada para tentar impedir a matança, você não estava praticando este treinamento. Mesmo que o que você tenha dito ou feito não tenha conseguido acabar com a guerra, o importante é que você tentou, usando seu discernimento e compaixão.

Não é apenas não matando com o seu corpo que você observa o primeiro treinamento para a mente alerta. Se em seu pensamento você permite que a matança continue, você também está violando este treinamento. Devemos estar determinados a não tolerar a matança nem mesmo em nossas mentes. De acordo com o Buda, a mente é a base de todas as ações. É sumamente perigoso matar dentro da mente. Quando você acredita, por exemplo, que o seu caminho é o único a ser seguido pela humanidade e que toda pessoa que segue outro caminho é seu inimigo, milhões de pessoas poderão ser mortas por causa dessa idéia.

O pensamento é a base de tudo. É importante ficar de olhos abertos para cada um de nossos pensamentos. Sem a compreensão correta de uma situação ou de uma pessoa, nossos pensamentos podem desvirtuar-se e criar confusão, desespero, raiva ou ódio. A nossa tarefa mais importante é desenvolver uma visão correta. Se observarmos profundamente a natureza da interexistência, de que todas as coisas "intersão", vamos parar de acusar, discutir e matar, e nos tornaremos amigos de todos. Para praticar a não-violência devemos em primeiro lugar aprender modos de lidar pacificamente conosco mesmos. Se criarmos uma harmonia verdadeira dentro de nós mesmos, saberemos como lidar com a família, os amigos e os companheiros.

Quando protestamos contra uma guerra, por exemplo, podemos simular que somos pessoas pacíficas, representantes da paz, mas isto pode não ser verdade. Se olharmos profundamente, vamos observar que as raízes da guerra estão na forma irresponsável com que levamos a vida. Não temos semeado sementes de paz e compreensão suficientes em nós mesmos e nos outros; portanto somos co-responsáveis: "Por eu ter sido assim, eles são daquele jeito". Uma abordagem mais holística é o caminho do "interser": "Isto é assim, porque aquilo é daquela forma". Este é o caminho da compreensão e do amor. Com esta concepção podemos ver claramente e ajudar nosso governo a ver claramente. Então poderemos ir a uma manifestação e dizer: "Esta guerra é injusta, destrutiva e indigna de nossa grande nação".

Isto é muito mais eficaz do que condenar iradamente os outros. A raiva só aumenta o estrago. Todos nós, até mesmo os pacifistas, carregamos dor dentro de nós. Ficamos chateados e frustrados, e precisamos de alguém disposto a nos escutar, que seja capaz de entender nosso sofrimento. Na iconografia budista há um bodhisattva chamado Avalokitesvara que possui mil braços e mil mãos e tem um olho na palma de cada mão. Mil mãos representam ação, e o olho em cada mão representa compreensão. Quando você compreende uma situação ou uma pessoa, qualquer ação que você faz ajuda e não causa mais sofrimento. Quando você tem um olho em sua mão, saberá como praticar a verdadeira não violência.

Para praticar a não violência, em primeiro lugar temos que praticá-la dentro de nós mesmos. Em cada um de nós há certa parcela de violência e certa parcela de não violência. Dependendo do nosso estado de espírito, nossa reação às coisas será mais ou menos não violenta. Ainda que orgulhosos de ser vegetarianos, por exemplo, devemos saber que a água na qual cozinhamos os vegetais contém muitos microrganismos. Não podemos ser completamente não violentos, mas, sendo vegetarianos, estamos indo no caminho da não violência. Se queremos ir para o Norte, podemos usar a Estrela Polar como guia, mas é impossível chegar à Estrela Polar. Nosso esforço é apenas seguir naquela direção.

Qualquer um pode praticar alguma não violência, mesmo os generais militares. Eles podem, por exemplo, conduzir suas operações de modo a evitar matar pessoas inocentes. Para ajudar os soldados a agir de forma não violenta, devemos entrar em contato com eles. Se dividirmos a realidade em dois lados o violento e o não violento e ficarmos em um lado enquanto atacamos o outro, o mundo nunca terá paz. Estaremos sempre culpando e condenando aqueles que julgamos responsáveis pelas guerras e pela injustiça social, sem reconhecer o grau de violência em nós mesmos. Devemos agir sobre nós mesmos e também sobre aqueles que condenamos, se quisermos obter um impacto verdadeiro.

Traçar uma linha e repudiar pessoas como inimigas, mesmo aquelas que agem de forma violenta, nunca vai ajudar. Temos de aproximarmos deles com amor no coração e fazer o melhor para ajudá-las a caminhar na direção da não violência. Se trabalharmos pela paz movidos pela raiva nunca teremos sucesso. A paz não é um fim. Ela não pode estabelecer-se através de meios não pacíficos.

O mais importante é tornar-se não violência, para que, quando a situação aparecer, não criarmos mais sofrimento. Para praticar a não violência precisamos direcionar brandura, gentileza amorosa, compaixão, alegria e serenidade a nós mesmos, aos nossos sentimentos e às outras pessoas. Com a mente alerta a prática de paz podemos começar trabalhando para transformar as guerras dentro de nós mesmos. Existem técnicas para fazer isto. A respiração consciente é uma delas.

Cada vez que nos sentimos irritados, podemos parar o que estamos fazendo, abster-nos de dizer qualquer coisa e inspirar e expirar diversas vezes, conscientes de cada inspiração e de cada expiração. Se ainda continuarmos irritados, podemos fazer meditação andando, conscientes de cada passo lento e de cada respiração que fizermos. Cultivando a paz dentro de nós, trazemos paz para a sociedade. Isso depende de nós. Praticar a paz dentro de nós é minimizar o número de guerras entre este e aquele sentimento, ou entre esta e aquela percepção, e assim podemos estar em verdadeira paz com os outros, incluindo os membros de nossa própria família.

Freqüentes vezes me perguntam: "E se você estiver praticando a não violência e alguém entrar em sua casa e tentar seqüestrar sua filha ou matar seu marido? O que deve fazer? Deve ainda agir de forma não violenta?" A resposta depende do seu estado de espírito. Se estiver preparado pode reagir calma e inteligentemente, da forma mais não violenta possível. Mas, estar preparado para reagir com inteligência e não violência exige treinamento prévio. Pode levar dez anos ou mais. Se você esperar até a hora da crise para fazer a pergunta, será tarde demais. Neste momento crucial, mesmo sabendo que a não violência é melhor que a violência, se a sua compreensão for apenas intelectual e não de todo o seu ser, você não vai agir de forma não violenta. O medo e a raiva dentro de você vão impedir que você aja da forma mais não violenta possível.

Devemos vigiar-nos dia após dia para praticar bem este treinamento. Cada vez que compramos ou consumimos algo podemos estar tolerando alguma forma de matança.

Ao praticar a proteção dos seres humanos, animais, plantas e minerais, sabemos que estamos protegendo a nós mesmos. Sentimo-nos em contato permanente e amoroso com todas as espécies da terra. Estamos protegidos pela mente alerta e pelo cuidado amoroso do Buda e das muitas gerações de Sanghas que também praticam este treinamento para a mente alerta. Esta energia da gentileza amorosa nos traz a sensação de segurança, saúde e alegria, e isto se torna real no momento em que tomamos a decisão de receber e praticar o primeiro treinamento para a mente alerta.

Sentir compaixão não é o suficiente. Temos que aprender a expressá-la. É por isso que o amor deve andar junto com a compreensão. A compreensão e o discernimento nos mostram como agir. Nosso inimigo real é o esquecimento. Se cultivarmos a mente alerta todo dia e regarmos as sementes da paz dentro de nós e em volta de nós, tornamo-nos cheios de vida e poderemos ajudar a nós mesmos e os outros a realizar a paz e a compaixão.

A vida é muito preciosa e, no entanto, em nosso dia-a-dia, somos freqüentemente levados pelo esquecimento, pela raiva e pelas preocupações, perdidos no passado, incapazes de entrar em contato com a vida no momento atual. Quando estamos verdadeiramente cheios de vida, tudo o que fazemos ou tocamos é um milagre. Praticar a mente alerta é retornar à vida no momento presente. A prática do primeiro treinamento para a mente alerta é uma celebração da reverência à vida. Quando apreciamos e honramos a beleza da vida, fazemos tudo ao nosso alcance para proteger toda a vida.

(Do livro “Os cinco treinamentos para a mente alerta” – Thich Nhat Hanh)

Comente esse texto em http://sangavirtual.blogspot.com

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A história do Budismo Shingon

A história do Budismo Shingon

2010-02-07 15:43

Kobo DaishiO BUDISMO SHINGON é uma religião que foi estabelecida por Kôbô Daishi (Kûkai) no começo do período Heian (século IX), e seus ensinamentos são conhecidos como o Budismo Esotérico Shingon (Budismo Shingon).

Esta forma de Budismo é também conhecida em japonês como mikkyô, que significa "ensinamento secreto".Mikkyô é uma das várias linhas de práticas dentro da tradição Budista Mahâyana.

Mikkyô engloba muitas doutrinas, filosofias, divindades, rituais religiosos e técnicas de meditação de uma variedade ampla de fontes. A assimilação das divindades locais e Hindus e seus rituais foram especialmente marcantes para o Budismo que tornou-se Mikkyô. Tais elementos diversos foram sendo incorporados ao longo do tempo e, combinando com os ensinamentos filosóficos Mahâyana, formaram um sistema compreensivo de doutrina e práticas Budistas.

Os ensinamentos Shingon são baseados na Sutra Mahâvairocana (Japonês: Dainichi-kyô) e na Sutra Vajrasekhara (Japonês: Kongôchô-kyô), as Sutras fundamentais do Shingon. Estas Sutras foram provavelmente escritas durante a última metade do século VII na Índia. Elas contém a primeira apresentação sistemática da doutrina e práticas Mikkyô.
Shingon representa o período médio do desenvolvimento do Budismo esotérico na Índia. O desenvolvimento, que se estendeu desde o século VII até o século VIII, foi o tempo quando a Sutra Mahâvairocana e a Sutra Vajrasekhara foram compiladas. A história do Budismo Esotérico foi praticada desde a Índia até a Ásia Central, Ceilão, China, Coréia, Japão, Mongólia, Nepal, Indonésia, Sudeste da Ásia e Tibete. A tradição Mikkyô continua no Japão dos dias de hoje, mas em outras localidades onde a tradição inicial indiana foi desenvolvida em diversas maneiras, os ensinamentos esotéricos Budistas foram em sua maioria sendo dispersos, alguns até o ponto de extinção total.

Os ensinamentos Shingon

Shingon é uma forma de Budismo Esotérico japonês, por isso é também conhecido por Shingon Mikkyo. Esta escola foi fundada em 804 DC por Kukai (Kobo Daishi) no Japão. Como mencionado acima, os ensinamentos são baseados nas Sutras Mahavairocana Sutra e Vajrasekhara, as sutras fundamentais da Shingon. Através da observação a três segredos - as ações do corpo, fala e mente, nós somos capazer de alcançar iluminação ainda nesta vida. Quando conseguimos manter este estado mental, podemos nos tornar unos/integrados com a força vital do Universo, conhecida como Buda Mahavairocana.

As atividades simbólicas estão presentes em qualquer lugar do Universo. Os fenômenos naturais tais como montanhas, oceanos e até os humanos expressam as verdades descritas nos sutras.

O Universo em si encarna e não pode ser separado do ensinamento. Na tradição Shingon, o praticante usa as mesmas técnicas que foram utilizadas há mais de 1200 anos por Kukai e tem sido transmitidas verbalmente geração pra geração até o momento presente. Como Budistas Shingon, existem três votos a serem observados em nossa vida:

  • Nós podemos alcançar o estado búdico nesta vida;
  • Nós podemos nos dedicar ao bem estar das pessoas;
  • Nós podemos estabelecer o Mundo de Buda neste planeta.


Tornar-se um Buda nesta vida (Sokushin Jobutsu) - a característica deste ensinamento Shingon é que alguém não se torna Buda somente em sua mente nem se torna Buda depois que desencarna. Isso significa que somos capazes de alcançar a perfeição de todas as qualidades de Buda enquanto estamos vivos neste corpo encarnado. Um texto no Bodhicitta (Bodaishin-ron) diz: " Alguém que rapidamente alcançou o grande Despertar em seu corpo nascido de mãe e pai".

De acordo com os ensinamentos Shingon, todas as coisas neste Universo - tanto matéria física, mente ou estados mentais - são feitos de alguns dos seis (6) elementos primários - terra (o princípio da solidez), água (umidade), fogo (energia), vento (movimento), espaço (o estado de ser desobstruído) e consciência (os seis modos de conhecer objetos). Buda assim como os seres humanos comuns são feitos destes seis elementos e, neste sentido, ambos Buda e seres humanos são idênticos basicamente e em essência. Quando compreendemos esta verdade nossas ações, palavras e pensamentos perecerão do modo como são atualmente e uma experiência de fé que criará a vontade de ser correto e purificar tudo ao seu redor. Este corpo físico, ser humano, será capaz de alcançar o estado Búdico.

Salvação e Iluminação - O Budismo Shingon oferece salvação e iluminação ao ser humano que seria envolvido no ciclo de nascimento e morte das encarnações. Assim que uma pessoa é capaz de entrar o portal de sua fé, ele/ela será capaz de receber a salvação e orientação de muitos Budas e Bodhisattvas. É uma religião em que cada pessoa será afortunada o bastante para recitar os mantras que são as próprias palavras de Buda.

Kobo Daishi ressaltou dois pontos como características especiais:

  • Alcance de iluminação nesta vida
  • O presente momento que claramente ensina o conteúdo da iluminação

Ele explicou estes dois aspectos através de suas escrituras, tais como "O significado de tornar-se Buda neste Corpo", "Os 10 estágios no desenvolvimento da Mente", "O significado dos preceitos Samaya secretos de Buda".

Disciplina Shingon

As formas a seguir são as mais praticadas por muitos seguidores: Susokukan (meditação básica para encontrar o próprio ritmo de respiração), Gachirinkan (meditação do Disco da Lua) e Ajikan (meditação de uma sílaba). Estas práticas nos levam ao entendimento da natureza da Realidade. Através destas práticas podemos experimentas muitos estados de consciência e assim como nossos conhecimentos se desenvolvem, começamos a ter um insight real sobre a natureza do estado não matéria. Através destas meditações podemos experimentar o fluxo de energia deste estado até o plano material de existência. Porém tal estado não pode ser experimentado sem correto entendimento de sua doutrina e a orientação de um mestre autêntico.


Kobo Daishi

Kobo Daishi (Kukai), o fundador do Budismo Shingon, nasceu na cidade de Zentsuji na Prefeitura de Kagawa no Japão em 774. Ele se tornou monge quando tinha 19 anos e foi a China para estudar Budismo Esotérico quando tinha 31 anos. Estudou Sânscrito sob orientação de mestres da Índia e se aperfeiçoou em ensinamentos esotéricos sob orientação do mestre chinês Jui-kuo, o 7º patriarca da tradição Budista esotérica. Quando retornou ao Japão, estabeleceu o Budismo Shingon e propagou seus ensinamentos durante sua vida. O imperador Saga garantiu a ele o Koyasan (monte Koya) como o local para fundar o centro monástico em 816.

Kukai escreveu vários ensinamentos e comentários, tais como: A chave secreta do Sutra do Coração, A diferença entre Budismo Exotérico e Budismo Esotérico, Alcançando a iluminação nesta existência e Os 10 estágios de desenvolvimento da Mente. 1200 anos depois, estes textos continuam a iluminar os seguidores ao redor do mundo todo.

Conhecido por muitos como o pai da cultura japonesa, sua contribuição se extendeu além dos campos religiosos para as esferas cultural, acadêmica e engenharia. Ele introduziu o método de fazer e utilizar pincéis de tinta para escrtia, criou o alfabeto fonético de 47 letras conhecido como japonês Kana, símbolos Iroha; inaugurou também uma escola para o público em Kyoto e a chamou de Shugei-shuchiin; dirigiu a construção do dique Mannoike Dam para prevenir inundações em Sanuki na Ilha Shikoku.

Sendo exemplo vivo dos três votos, Kukai entrou para o Samadhi eterno no Monte Koya no dia 21 de março de 835. Mais tarde, o imperador Daigo lhe concedeu o título honorário de Kobo Daishi em 921.

Koyasan (Monte Koya)

Koyasan é localizada na Prefeitura de Wakayama no oeste do Japão. Kobo Daishi iniciou seu monastério budista no topo desta montanha que está a três mil pés de altura acima do nível do mar. Há inúmeros templos, stupas e salas religiosas em Koyasan. O Templo Knogobuji é o prédio matriz da Missão Koyasan Shingon, que é composta de mais de 4000 templos no Japão

fonte: .http://budismojapones.webnode.com.br/news/a-historia-do-budismo-shingon/

Que tipo de mérito eu posso obter através da Iluminação?

Que tipo de mérito eu posso obter através da Iluminação?

2010-03-21 16:23

Se alguém alcançar a iluminação, ele/ela é liberado do renascimento.

Do ponto de vista Budista, nossos espíritos estão continuamente rencarnando nos 6 reinos. Estes reinos são: inferno, seres famintos, animal, demônios violentos, humano e devas (deuses). Nossa mente está sempre viajando entre estes reinos. Por exemplo, quando você está com forme, sua maior preocupação é como conseguir comida. Você está vivendo com seu forte instindo de sobrevivência assim como animais fazem. Quando você está discutindo/argumentando com outra pessoa, sua ação é baseada em sua emoção e não em sua compaixão. Você está no reino dos demônios violentos. É difícil manter o espírito de caridade especialmente em circunstâncias quando seus esforços de compaixão não são reconhecidos tal como quando você ajuda uma pessoa que tenha caído na rua e ela não lhe agradece.

Nós não aceitamos quando as coisas não acontecem de acordo com nossa vontade porque temos forte apego ao assunto que acreditamos ser importante. Nós chamamos isto de Sofrimento, e enquanto vivemos como pessoas normais, nossos espíritos estão sempre em um destes 6 reinos. Quando alcançamos a iluminação, nosso espírito é libertado deste ciclo e nós não temos que sofrer mais. Este estado da mente é chamado Nirvana.

Alcançar o estado Arhat é o objetivo humano na tradição Theravada e somente um Arhat pode praticar o procedimento de liberação para o Nirvana.

Algumas escolas da tradição Mahayana acreditam que as pessoas irão renascer na Terra Pura e terão alegria eterna com a assistência de Buda Amitabha ou com o poder do Sutra Lotus.

A tradição Vajrayana acredita que alguem iluminado se torna uno com a força universal de vida. O objetivo parece diferente, mas na verdade trata-se do mesmo objetivo porém com um ponto de vista diferente.

Quem é Buda (ou Buddha)?

1. Quem é Buda (ou Buddha)?

2010-03-21 15:45

Quando você escuta a palavra Buda, a maioria das pessoas tem a imagem de Shakyamuni, o Buda histórico, que viveu no Índia em cerca de 500 AC. O ensinamento de Buda foi fundado e reconhecido por ele e propagado através de esforço incondicional. Porém ele pregou às pessoas que Buda é a verdade bem como a pessoa que despertou para a verdade, e que todos tem a oportunidade de tornar-se Buda.

Os vários grupos formados para praticar este ensinamento foram chamados de tradição Theravada. Portanto o ensinamento de Buda espalhou-se para outros países. Nos anos antigos, o ensinamento foi praticado exatamente como Shakyamuni os havia dito, porém poucos seguidores encontraram dificuldades devido a diferença de cultura, condições do tempo, moral, etc. As tradições Mahayana e Vajrayana foram estabelecidas para resolver estas necessidades e transcender as diferenças.

"Quem é Buda?" - Esta questão tem sido perguntada muitas vezes e sua resposta difere de acordo com a tradicão. Uma tradição acredita que Shakyamuni é o único Buda na hist´øria. Por muitos anos, esta crença foi reconhecida como a única. Eventualmente, um outro ponto de vista apareceu - que existem três modos de reconhecer o Buda:

  • Forma de Vida Universal Dharmakaya

O Dharmakaya ou Vida Universal é eterno e imutável. Este é o fundamento de todos os seres e reconhecido como Mahavairocana, o Grande Buda Sol, que é a fonte de todas as formas vivas.

  • Forma da manifestação Sambhogakaya

A Sambhogakaya ou Forma de manifestação é a forma simbólica do Buda que é alcançada através da prática. Há muitas destas formas simbólicas. Estes Budas são adorados em templos como imagens foco de contemplação. Alguns exemplos são Akshobya e Amitabha.

  • Forma histórica Nirmanakaya

O Nirmanakaya ou Buda histórico, Shakyamuni, nasceu para ensinar seres senscientes. Assim como ele, há muitas formas históricas de Buda no mundo.

Buda não é o criador mas é o mesmo que a verdade universal. O Universo está sempre revelando a verdade e cada indivíduo é quem deve compreender isso. Todos os seres estão aqui no mundo fenomênico como parte de sua vida. Todos os seres tem o potencial de compreender a verdade através da prática religiosa.

Se alguém pergunta "Quem é Buda?" na tradição Theravada, a resposta é o Buda histórico, Shakyamuni. A tradição Mahayana enfatiza as formas histórica e simbólica de Buda. A tradição Vajrayana acredita em todas as três formas de Buda. As maneiras de ver diferem, porém são somente como caminhos alternativos para o topo da montanha. Está tudo bem escolher quaisquer um destes Caminhos se assim você preferir. A velocidade para alcançar o topo é diferente de acordo com o caminho escolhido e suas habilidades.

Os Ensinamentos da Sutra Vajrasekhara

Ensinamento 04: Os Ensinamentos da Sutra Vajrasekhara

2010-02-07 15:52

A Sutra Vajrasekhara (Kongocho-kyo), juntamente com a Sutra Mahavairocana (Dainichi kyo) são as sutras básicas do Budismo Shingon. A fé no Budismo Shingon é propagada com estas duas grandes sutras formando as duas rodas de uma carroça.

O professor de Kobo Daishi, Mestre Hui-kuo (Keika) do Templo do Dragão Azul em Chiang-an de T'ang na China, consolidou o Budismo Esotérico baseado no Dainichi-kyocom aquele baseado no Kongocho-kyo, e Kobo Daishi recebeu o conteúdo destas duas linhas.

Assim como a Sutra Mahavairocana (Dainichi-kyo), a Sutra Vajrasekhara explica o ensinamento para tornar-se um buda neste corpo físico, que é a doutrina central do Budismo Esotérico. Seu título formal é "Sutra do Rei do Grande Ensinamento atestado na Verdade Mahayana de Todos os Budas no Pico Vajra." Conforme expressado no título, este sutra ensina o processo pelo qual as trinta e sete divindades da Mandala Vajradhatuencarnaram a verdade de tornar-se buda em seus corpos físicos.

Portanto, em contraste com a Sutra Mahavairocana, que é a sutra para o aspecto de ensinamentos dos fundamentos da doutrina, a Kongocho-kyo é considerada a sutra para o aspecto prático que ensina as práticas e processos para verdadeira tornar-se um buda.

No centro de Kongocho-kyo temos o que é chamada "A Meditação para alcançar o Corpo de Buda em Cinco Aspectos", que é o processo de práticas e um método para tornar-se um buda neste corpo físico. Também é referenciada como "Alcançando o Corpo Búdico através de Cinco Transformações", ou "Alcançando o Corpo Búdico através de Cinco Métodos."

Elas são apresentadas a seguir:

1. Entrando em contato com a mente básica.

Esta é auto-concientização que nós temos quando a mente aspira por iluminação de dentro de nossos corações.

2. Colocando em prática a mente que aspira por iluminar-se.

Isto envolve o cultivo da mente que aspira ser iluminada e assim ela torna-se gradualmente pura e expandida.

3. Alcançando a Mente Vajra

Como resultado do cultivo, a mente que aspira ser iluminada torna-se firme e forte como uma gema de diamante.

4. Alcançando o Corpo Vajra

Isso envolve a consciência sobre a natureza de Buda que está dentro da mente e do corpo, com o alcance de um corpo indestrutível e tornando-se um Bodhisattva que sempre salva os seres humanos.

5. O perfeito preenchimento do corpo Búdico

Este é o chamado Estado da Mente Vajra no qual nossas próprias mentes e corpos físicos vêm a tornar-se a mesma essência que as de Buda, e por alcançar a eterna iluminação nós concluímos o processo de tornar-se um buda neste corpo físico.

Mesmo olhando brevemente sobre as doutrinas centrais do Kongocho-kyo, podemos entender a essência geral dos ensinamentos do Budismo Shingon. A fonte da fé e os ensinamentos para desenvolvimento completo de nossas mentes e corpos assim como a vida de Buda é explicada no Knogocho-kyo. Certamente os fundamentos para a crença na vida que dá vida são encontrados aqui.