quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os 3 Caminhos e o Sutra de Lótus

extraido de:


Nos primeiros séculos depois da morte do Buda,
quando o Budismo se tornou uma religião popular,
foi formalizada a idéia de que havia três caminhos para a iluminação,
dos quais se poderia escolher:

o caminho para a iluminação como um discípulo do Buda, (savaka),

o caminho para a iluminação como um Buda “silencioso,” (pacceka-buddha),
isto é,
alguém que realiza a iluminação por si próprio,
mas que não é capaz de ensinar o caminho da prática para os outros;

e o caminho para a iluminação como um Buda perfeitamente iluminado,
(samma sambuddho).

De acordo com a definição desses caminhos,
eles se constituem de perfeições, (paramis),
de caráter,
mas ainda existiam dúvidas com relação a quais perfeições seriam essas
e como cada caminho diferiria um do outro.




“Manjushri,
quanto a este Sutra do Lótus,
através de imensuráveis números de terras,
é impossível sequer ouvir o seu nome,
quanto mais vê-lo,
aceitá-lo e abraçá-lo,
lê-lo e recitá-lo.


Manjushri,
supõe por exemplo,
que existe um poderoso rei sábio
que quer usar a sua força para subjugar outros países,
mas os governantes mesquinhos não cumprem as suas ordens.

Nessa altura o rei sábio convoca as suas várias tropas e prepara-se para atacar.

Se o rei vê algum dos seus soldados
que tenha ganho distinções no campo de batalha,
ele fica deleitado e imediatamente recompensa a pessoa em questão
de acordo com os seus méritos,
doando terras,
casas,
povoados e cidades,
ou vestes e adornos de uso pessoal,
ou dando talvez objectos preciosos como ouro,
prata,
madrepérola,
ágata,
coral ou âmbar,
ou elefantes,
cavalos,
carruagens,
servos e servas e gente.

Apenas a jóia brilhante que está no topo da sua cabeça ele não oferece.

Porquê?


Porque esta jóia existe apenas no topo da cabeça do rei,
e se ele fosse a oferecê-la,
os seus súbditos manifestariam grande consternação e alarme.


“Manjushri,
o Tathagata é assim.


Ele usa o poder da meditação e da sabedoria
para conquistar territórios do Dharma e tornar-se rei do triplo mundo.


Mas os reis demónios não querem obedecer e submeter-se.


Os lideres militares sábios e meritórios do Tathagata envolvem-se na batalha
e quando algum dos soldados do Buddha adquire distinção,
o Buddha fica deleitado e entre os quatro tipos de crentes,
ele prega vários sutras,
alegrando os seus corações.

Ele oferece-lhes meditações,
emancipações,
raízes e poderes livres de falhas,
e outros tesouros da Lei.


Ele oferece-lhes também a cidade do nirvana,
dizendo-lhes que alcançaram a extinção,
guiando as suas mentes e fazendo-os rejubilar.

Mas ele não lhes prega o Sutra do Lótus.


“Manjushri,
quando o rei sábio vê algum dos seus soldados
que ganhou realmente uma grande distinção,
ele fica tão deleitado que pega na jóia incrivelmente rara
que há tanto tempo se encontra no topo da sua cabeça,
nunca tendo sido dada,
e oferece-a agora a esse homem.

O Tathagata faz o mesmo.

No triplo mundo ele actua como o grande rei do Dharma.


Ele usa a Lei para ensinar e converter todos os seres viventes,
atento aos sábios e meritórios exércitos,
em luta com os demónios dos cinco componentes,
os demónios dos desejos mundanos
e o demónio da morte.


E quando eles ganharam grandes distinções e méritos,
secando os três venenos,
vitoriosos sobre o triplo mundo e destruidores das redes dos demónios,
o Tathagata enche-se de grande alegria.

Este Sutra do Lótus é capaz de fazer
com que todos os seres viventes alcancem a sabedoria.


Enfrentará muita hostilidade no mundo e será difícil de acreditar.

Nunca antes foi praticado mas agora eu prego-o.


“Manjushri,
este Sutra do Lótus é o principal de entre todos os que o Tathagata prega.


Entre todos os que são pregados é o mais profundo.

E é conferido em última instância,
tal como esse profundo governante fez
quando pegou na jóia brilhante que tinha guardado por tanto tempo
e finalmente a deu.


“Manjushri,
este Sutra do Lótus é o repositório secreto dos Buddhas,
os Tathagatas.

Entre os sutras,
detém o mais alto lugar.

Através da longa noite eu guardei-o e protegi-o e nunca o propaguei imprudentemente.

Mas hoje,
pela primeira vez eu exponho-o para vosso benefício.”